quarta-feira, 9 de maio de 2012

Crédito mais barato, imóvel mais caro


Jornal da Tarde

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Financiamento da casa própria mais em conta e preço dos imóveis mais altos. Isso pode ser um reflexo da redução dos juros do crédito imobiliário e da mudança nas regras da poupança, esta última anunciada anteontem pelo governo.

Alguns especialistas apostam em uma alta de até 10% num futuro próximo. Porém, há quem considere que não há mais espaço para a elevação de preços.

“Historicamente, quando o crédito é mais acessível, os preços dos imóveis inflam, porque os brasileiros compram o financiamento, não o imóvel”, afirma Celso Grisi, diretor presidente do Instituto de Pesquisa Fractal. Ou seja, independentemente da valorização do imóvel, se as parcelas do empréstimo cabem no bolso do consumidor — e é essa a conta que ele normalmente faz –, ele opta pela compra.

“Aposto em uma retomada da alta dos preços na casa de 5% a 10% num primeiro momento”, diz Grisi, considerando a lei da oferta e da procura.

A alta nos preços é possível na avaliação do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), mas em um futuro não tão próximo. “Os preços só vão subir quando os bancos puderem baixar os juros do crédito imobiliário. Mas como eles podem fazer isso agora, se a grande massa que gera o recurso da poupança para aplicação ainda tem rendimento antigo?”, questiona o presidente do sindicato, Claudio Bernardes.

Independentemente da mudança na caderneta, os bancos já vinham numa tendência de corte dos juros imobiliários. Na semana passada, Caixa Econômica Federal e Citibank reduziram suas taxas.

Eduardo Zaidan, vice-presidente de economia do Sindicato da Construção de São Paulo (Sinduscon-SP), tem uma visão diferente: quem decide o preço é quem compra. Segundo ele, o consumidor só escolhe o que pode pagar. “Não adianta o empresário colocar um imóvel mais caro do que a população pode pagar, porque não vai vender. Se ele aumentar o preço, terá prejuízo.”

Construir mais
Para o especialista, caso a procura cresça, o mercado vai ter de aumentar a oferta, e não subir os preços. “Temos espaço territorial para construir mais”, avalia Zaidan.

José Augusto Viana Neto, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), concorda com o executivo do Sinduscon. “O aquecimento do mercado aumentará com a redução dos juros, mas não acredito em uma valorização expressiva dos imóveis. A faixa salarial não está muito compatível com o mercado imobiliário”, diz.

Enquanto isso, os preços dos imóveis ainda estão subindo, embora, em um ritmo mais lento. O índice FipeZap, que mede o valor dos imóveis com base nos anúncios colocados na internet, subiu 1,2% em abril, após alta de 1,4% em março e 1,5% em fevereiro em todo o País.

O indicador é calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Em 12 meses até abril, a venda do metro quadrado dos apartamentos prontos anunciados acumula alta de 21,8%.
 
 
 
 
 

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