segunda-feira, 5 de junho de 2017

QUEDA NO JUROS TRANSFORMAM COMPRA DA CASA PRÓPRIA PARA A CLASSE C



Estado de Minas

Além da diminuição nos juros, a facilidade para comprovar renda viabilizam aquisição do imóvel. Corretores dão dicas de como comprar



Nos últimos anos, o crescimento do poder aquisitivo do brasileiro tem feito com que haja um aumento populacional da classe C. Essa migração de consumidores para faixas mais elevadas de renda tem alterado as preferências de consumo dessa nova parcela da classe média. De acordo com pesquisa realizada pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), em 70 cidades brasileiras, a classe C é a que registrou maior disposição para o consumo este ano. Na lista de prioridades, os itens que tiveram maior aumento foram reforma, compra do imóvel e aquisição de carro.


Diretora administrativo-comercial da Construtora Carrara, Luciana de Castro reconhece que conquistas relacionadas à casa própria estão entre as prioridades do público-alvo da empresa. “A necessidade e o desejo de ter a casa própria sempre existiram. Porém, vários fatores dificultavam isso de acontecer, como juro alto e a comprovação de renda. Agora, com os incentivos que o governo está oferecendo para essa classe, a aquisição da casa própria deixou de ser um sonho para se tornar algo real”, analisa.



As construtoras estão oferecendo melhores condições para adquirir o imóvel - João Paulo da Silva Resende, engenheiro ambiental

Esse movimento é notado desde 2009, como observa a coordenadora de marketing da Gran Viver, Grazielle Quirino. Na época, a empresa lançou produtos específicos para a classe C, como loteamentos abertos. “Percebemos que o público da capital e de determinadas cidades do interior estava querendo sair do aluguel, construir sua própria casa e até investir o dinheiro que guardava na poupança.”



Clique para ampliar
Hoje, a classe C está maior e é crescente o número de pessoas que estão se inserindo nesse cenário. “O poder aquisitivo aumentou e essas pessoas querem segurança e conforto, com uma parcela que cabe no bolso. Acredito que elas querem produtos que possam estar dentro do orçamento, por ser uma classe em crescente consumo e que, a cada dia, se consolida mais nas compras”, observa Grazielle Quirino.

A perspectiva de maior estabilidade e de investir em algo próprio engrossam a lista de vantagens observadas pela classe C ao pensar em adquirir ou reformar um imóvel. “Eles estão preocupados em ter a segurança de poder pagar o seu imóvel e construir sua casa para sair do aluguel.”

CONFORTO Quem aproveitou a oportunidade para adquirir a casa própria foi o engenheiro ambiental João Paulo da Silva Resende. Este ano, ele comprou um imóvel na planta no Bairro Boa Vista, Região Leste de Belo Horizonte, que tem previsão para ficar pronto em 2013. “O mercado imobiliário está mais consolidado e, devido à concorrência, as construtoras estão oferecendo melhores condições para adquirir o imóvel”, conta.

O mercado de trabalho aquecido, que possibilitou incremento na renda, também é apontado por João Paulo como incentivo para a compra da casa própria. Além disso, no seu caso, a localização foi um fator fundamental para o fechamento do negócio. “Escolhi o Boa Vista porque sempre morei na região, que está crescendo bastante. Para completar, trabalho perto de onde fica o imóvel”, conta.

Luciana de Castro reconhece que esse público está preocupado em ter um imóvel que atenda as suas necessidades, de acordo com o seu orçamento financeiro. “Além disso, ao adquirir a casa própria, busca satisfazer o desejo da família por segurança. Quer um local que tenha confortos como suíte, duas vagas na garagem, boa localização, de forma que ele tenha uma melhor qualidade de vida. E, claro, tenha também uma boa área de lazer.”


Luciana de Castro, da Contrutora Carrara, destaca a importância da infraestrutura

IMÓVEIS ESCASSOS
Entre os desafios para atender essa parcela da população está a falta de áreas na capital para construir

Apesar do aumento do poder aquisitivo, o desejo de ter um imóvel esbarra na falta de ofertas condizentes com o que o consumidor da classe C pode pagar, segundo observa a diretora administrativo-comercial da Construtora Carrara, Luciana de Castro. “Quase não há terrenos onde construir em BH e os que existem são vendidos a preços muito altos, o que reflete nos valores do imóvel e impede a classe C de adquirir empreendimento na capital.”

Luciana diz que são necessários mais empreendimentos para atender esse público. “O déficit habitacional dessa classe social ainda é muito grande, porém vários são os fatores que impedem que isso deslanche de vez. Poucos terrenos – o que faz com que fiquem supervalorizados – e a nova Lei de Uso e Ocupação do Solo são alguns deles.”


Os produtos da região metropolitana têm sido muito bem aceitos pelos clientes e investidores - Grazielle Quirino, coordenadora de marketing da Gran Viver

O diretor da Give, Leandro Palmeira, também acredita que o mercado não está satisfazendo a necessidade de empreendimentos voltados para esse público. “O cenário está em franco crescimento. E apesar de muitos não terem condições financeiras para comprar, há a busca. Também existe uma grande dificuldade de encontrar terrenos grandes e bem localizados, o que leva a classe C para regiões mais afastadas.”

Com relação à comercialização de lotes, a coordenadora de marketing da Gran Viver, Grazielle Quirino, conta que é mais difícil encontrá-los na capital, o que faz com que haja mais espaços para a comercialização na região metropolitana, “onde os produtos têm sido muito bem aceitos pelos clientes e investidores. Um dos exemplos é o sucesso de vendas de produtos para a classe C em Betim”, justifica.

Localização é fundamental

Em Belo Horizonte, entre os preferidos pelo consumidor, segundo Leandro Palmeira, estão os bairros Fernão Dias e Cidade Nova (na Região Nordeste), Pampulha e Castelo (Região da Pampulha), Prado e Buritis (Oeste) e Sagrada Família, Santa Tereza e Floresta (Leste). “Mas a região que mais oferece imóveis voltados para esse público é Venda Nova e as cidades de Santa Luzia, Vespasiano, Betim e Contagem.”

Para escolher entre essas opções, a localização é fundamental. “É preciso ter facilidade de acesso às necessidades básicas. Com isso, ganha-se tempo e melhora-se a qualidade de vida”, ressalta Leandro. Na hora de fechar o negócio, também é imprescindível tomar alguns cuidados. “A corretora precisar ser legalizada no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), o projeto tem que ter aprovação na prefeitura, o imóvel tem que ter o registro de incorporação, entre outros”, acrescenta o diretor da Give.

Além da localização, a facilidade de transporte, segurança, comércio e a existência de escolas são destacadas por Luciana de Castro. “Esses fatores ajudam a agregar valor ao imóvel, algo muito importante, principalmente se a pessoa pensa em trocar o bem futuramente.”

Os benefícios do próprio empreendimento também devem ser analisados com cuidado. “É preciso levar em conta fatores como disponibilidade de vagas de garagem, elevador, salão de festas”, diz Luciana. Feito isso, é imprescindível atenção com todos os documentos necessários para que o negócio seja fechado, além de se averiguar a idoneidade da construtora que oferece o empreendimento.

Nenhum comentário:

Postar um comentário